Semana passada, a sociedade brasileira ficou estarrecida e sensibilizada com o sofrimento do estudante de uma escola pública de Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul. O adolescente era vítima de bullying há mais de um ano, sendo, inicialmente, forçado a fazer as tarefas do agressor, também adolescente, e posteriormente a pagar dinheiro e passeios no shopping para ele. Segundo a delegada Aline Sinott Lopes, responsável pelas investigações, provavelmente há mais adolescentes envolvidos no crime e se comprovado a participação deles, os pais ou responsáveis terão que devolver o dinheiro extorquido do estudante, que pode chegar a mais de mil reais!
A história desse garoto não ganhou destaque nacional por ser a primeira ou a última, mas porque milhares de pessoas enfrentaram ou enfrentam situação semelhante, se familiarizando com a dor dele. Os “motivos” que os tornaram o alvo? São muitos. Não se enquadram no padrão da ditadura da beleza, são simplesmente mais fracos fisicamente, etc, etc, etc... todos não se justificam!
O termo bullying é derivado do verbo inglês “bully” que significa usar a superioridade física para intimidar alguém, ação baseada na força e no poder. Tal palavra também adota aspectos de adjetivo, se referido a “valentão”, “tirano”. O bullying compreende comportamentos com diversos níveis de violência que vão desde chateações inoportunas ou hostis até fatos agressivos, podendo ser verbal ou não, intencionais e repetidas, sem motivação aparente causando dor, angústia, exclusão, humilhação e discriminação.
Dados dos IBGE sobre o bullying nas capitais e no Distrito Federal
Atualmente a temática do bullying ganhar espaço nas rodas de discussões, principalmente, nas salas de aula, todavia ainda é um assunto desconhecimento mesmo sendo recorrente.
Dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pelo G1 em 15/06/2010, apontam Brasília como campeã de bullying (35,6%). Belo Horizonte (35,3%) e Curitiba (35,2%) ocuparam o segundo e terceiro lugar.
A pesquisa foi realizada com estudantes do 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) de escolas públicas ou privadas das capitais dos estados e do Distrito Federal, totalizando 6.780 escolas.
Das capitais, Palmas apresentou o menor índice de bullying na pesquisa (26,2%). Esta porcentagem é considerada alta, pois mais de um quarto dos estudantes entrevistados foram vítimas de bullying.
É necessário uma ação conjunta e efetiva, não só dos profissionais ligados a educação – de quem muitas autoridades e pais esperam que resolvam tudo – mas das autoridades, pais, entidades religiosas, civis, públicas, privadas e organizações não-governamentais. Senão acabará a relação interpessoal, que é essencial para qualidade de vida e para o bem estar social, e se instaurará um estado de crueldade e terror!

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